Steve Jobs – o visionário da Apple

Jobs apresentando o iPad

Jobs apresentando o iPad

A maioria dos engenheiros de computadores sabem como as máquinas funcionam e pretendem que as pessoas alterem o seu modo de interagir, adaptando-se a elas. Jobs e a sua equipa seguiram o movimento contrário, esforçando-se por compreender como pensam e agem os seres humanos de modo a construir artefactos que se adaptem à nossa forma de ser e interagir.

Uma das causas do sucesso de tantos dispositivos da Apple, deve-se ao facto de Jobs manter um distanciamento crítico em relação às suas criações, sempre pronto a cortar, a redesenhar, na procura do objecto perfeito do ponto de vista tecnológico, ergonómico e artístico.

No dia das mentiras, Steve Jobs, com 21 anos, funda a Apple Computer na garagem do pai, juntamente com Steve Wozniak, há data, com 25 anos. Passado pouco mais de um ano, é lançado no mercado o computador Apple I, ao preço de 666,66 dólares e, no ano seguinte, o Apple II, o 1º computador para o público em geral, que irá ter uma enorme aceitação nas escolas dos EUA durante toda a década de 80.

O famoso Macintosh, um dos primeiros computadores pessoais a utilizar um ambiente gráfico baseado em ícones, janelas e rato, é lançado em 1984.

No ano seguinte, Jobs é despedido, o que o despoja do sucesso, lhe aguça o engenho e lhe permite um novo começo. Cria a NeXT Computer e lança a Pixar, que, em 1995, realiza o primeiro filme inteiramente animado em computador, “Toy Story”. Um sucesso comercial. Teve ainda tempo para se apaixonar por Laurene e constituir família.

Passados 11 anos, a Apple compra a NeXT Computer e Jobs regressa mais criativo que nunca, iniciando a saga dos iMac, iBook, iPod, iPhone, iPad.

O iMac surge em 1998, sendo o primeiro computador a abandonar a tradicional disquete de 3,5”, a favor do CD-ROM.

No ano seguinte, sai o portátil iBook com ligação, sem fios, à Internet.

Jobs viria a ser capa da revista Fortune, em Janeiro de 2000, sendo a Apple apresentada como a empresa que iria casar o iMac com a Internet, através do novo sistema operativo, o Mac OS X.

Em 2001, a Apple entra no comércio de retalho, havendo, hoje, mais de 200 lojas Apple espalhadas pelo mundo.

O iPod conta já com 10 anos de existência, nas suas diferentes versões. Foi lançado em Outubro de 2011, vindo a tornar-se o mais popular leitor de MP3. Não só se tornou um dos maiores êxitos de vendas, como revolucionou o mundo da música e a forma como a ouvimos e a compramos.

Em 2004, Jobs começa a sua luta contra a morte, sendo submetido a uma intervenção cirúrgica para remover um tumor no pâncreas.

Quando pensava já ter vencido o cancro,  a 12 de Junho de 2005, dá a aula inaugural na Universidade de Stanford, onde conta três histórias fantásticas sobre a sua vida. Esta aula permanece um ícone, sendo um dos vídeos mais vistos do youtube. Jobs explica aos estudantes que deixou a Universidade, porque estava a consumir todas as poupanças dos seus pais adoptivos. Explica como esse aparente falhanço  se tornou para ele uma oportunidade. Fala da importância do amor e de como aprender a viver cada dia, como se fosse o último.

Finalmente, o iPhone. Anunciado em Janeiro, será lançado em Junho de 2007. Desde então foram já vendidos mais de 17,4 milhões de iPhones, tornando a Apple o 2º maior fabricante de smartphones – telemóveis que são também computadores em miniatura.

Lutando contra a doença, continua a trabalhar incansavelmente, mas, em 2009, é obrigado a deixar, temporariamente, a direcção executiva da Apple, por motivos de saúde, para receber um transplante do fígado.

No ano seguinte, de regresso ao trabalho, anuncia o iPad, que viria a tornar-se o padrão para a indústria dos tablet PC, tendo sido vendidas mais de 500.000 unidades, só na primeira semana.

Quando, a 26 de Maio de 2010, a Apple ultrapassa o valor em bolsa da Microsoft, o que se anuncia é uma mudança de paradigma da era do computador pessoal, para a era dos dispositivos móveis. E, quando em Novembro do mesmo ano, as músicas dos Beatles, passam a estar disponíveis na loja digital iTunes, Jobs ganha a guerra da música digital contra as grandes editoras do passado.

A Apple chega mesmo a ser a empresa mais cotada em bolsa, ultrapassando, temporariamente, a 9 de Agosto de 2011, a gigante Exxon.

Quando a Apple está no topo do poder, graças à sua posição dominante no mercado da música e dos dispositivos móveis, Jobs renuncia ao cargo de director executivo, a 24 de Agosto, sendo substituído por Tim Cook, até então director operacional. Morre a 5 de Outubro.

Contraditoriamente com o seu estilo inicial irreverente e quase anárquico, a Apple actual está a utilizar o seu crescente poder para tornar a experiência do utilizador cada vez menos livre, cada vez mais dependente e regulada. Todos os iDispositivos da Apple, usam sistemas operativos cada vez mais fechados. Tudo é controlado e descarregado a partir dos servidores da Apple, que decide o que os utilizadores podem ou não podem instalar.

Como todos os sistemas altamente controlados e monitorizados, isto tem as suas vantagens, como seja a quase ausência de vírus e outro tipo de código maligno que proliferam noutros sistemas e o excelente desempenho do sistema, onde só entra o software que passou a “censura”.

O sucesso comercial da Apple, como de muitas outras empresas, deve-se, ainda, não nos devemos esquecer, à deslocalização da montagem  para a Ásia, em condições laborais que nos deveriam fazer corar de vergonha quando ostentamos os nossos gadgets, que muitos dos que os montaram, nunca viram a funcionar.

A magia dos icones do iPad deslizando sob os dedos de uma criança, leva-nos a pensar que Steven Paul Jobs quase atingiu a perfeição, na atenção ao mais pequeno detalhe da interacção com o utilizador. Na pressão dos últimos 10 anos da sua vida, em que a atenção com o utilizador foi levada quase ao requinte, Jobs, sacrificou, no entanto, a atenção igualmente devida aos trabalhadores que produzem tais maravilhas.

A verdade quase nunca é simpática e Jobs bem o sabia.

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PS: Pode ver este mesmo artigo  ”O visonário da Apple“, na revista “Mensageiro de Santo António”, Novembro de 2011, pag. 26




Colocado no dia: 28 Outubro 2011 às 17:38

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Artigo escrito por: Secundino Correia

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