“Todos pensam em deixar um planeta melhor para os filhos…
Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”
Esta foi a pergunta vencedora num congresso sobre vida sustentável.
Um pouco de História
Em 1969 (para quem não é do tempo), a escola era elitista e excludente. Não abrangia os conteúdos mais críticos da sociedade e era “vigiada” pelo sistema político da altura. Muitas coisas mudaram desde então, umas para melhor, outras nem tanto. Mas a escola é um reflexo da sociedade em que vivemos e é muito difícil dizer onde começa uma e termina a outra. Uma coisa, porém, é certa, nenhuma nação se desenvolve sem ter por base uma escola democrática e de qualidade, características que não são vistas, infelizmente, em todas as redes de ensino da atualidade.
Se a tendência veio para ficar ou até piorar, qual será a nossa atitude nos próximos 40 anos? Será que deixámos de ser alunos ou aprendizes e passámos a ser apenas clientes? Afinal o cliente tem sempre razão…
Penso, com base na minha própria experiência como filha e preocupação como futura mãe, que a educação dos filhos começa com uma família bem estruturada e o seu complemento é a escola. É nessa fase que todos, pais e educadores, têm que estar atentos e sintonizados, pois o mundo mudou muito e a sociedade, como todos sabemos, atravessa um momento difícil.
É de notar que se uma criança aprender, dentro da própria casa, o respeito por si própria e pelos outros, o que só é possível através do exemplo dos pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, incluindo o respeito pelo planeta onde vivemos.
Hoje em dia, com o stress diário pelo qual passamos, com os pais e as mães a terem que trabalhar (muitas vezes depois do horário de trabalho), a responsabilidade pela educação sobra para a escola. Mas, se em casa é preciso engenho, arte e amor para cuidar de 3 ou 4 filhos, imaginem o papel dos professores ao terem a “obrigação” de cuidar/educar 30 ou mais alunos? Esta realidade está presente de norte a sul do país, nas nossas famílias e vizinhos. Se não houver uma parceria entre família/escola/sociedade, não vamos conseguir chegar a bom porto, e vamos continuar a assistir a atos de desrespeito à porta das escolas (e dentro de casa).
Pais e professores devem sempre ter em conta que é mais importante sermos bons seres humanos do que tirarmos uma boa nota a Português ou a Ciências. É certo que uma boa nota dá aos filhos, eventualmente, melhores oportunidades profissionais, mas se a esse esforço não aliarmos uma boa educação que ajude a clarificar os valores que nos estruturam como pessoa, estamos a comprometer a possibilidade de se tornarem cidadãos críticos e pessoas livres e responsáveis.
“O grande problema da educação pública de hoje é a sua incapacidade em distinguir conhecimento e sabedoria. Forma a mente e despreza o caráter e o coração. As consequências são as que se vêem.” Theodore Palmquistes
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