Desenhos animados: boa ou má influência

Os desenhos animados preparam a mente das futuras gerações para lidarem com os problemas de forma mais natural do que as gerações anteriores.

Na generalidade dos casos, as crianças começam a ver desenhos animados, a partir dos 2 anos. Aos 6 anos, 90% das crianças já são as clientes nº1 da televisão e entre os 6 e os 11 anos são as sit com que vão conquistando a sua atenção.

As crianças identificam-se, desde cedo, com desenhos animados, porque cada ação é destacada por efeitos sonoros particulares, que pretendem ajudar a sua compreensão e captar a sua atenção, pois como as crianças tão depressa estão atentas a uma coisa como de repente deixam de estar, o som vem ajudá-las a estar mais atentas. Esta dificuldade que a criança tem em estar atenta deve-se, na sua maioria, ao conteúdo dos programas, que muitas vezes não são totalmente compreensíveis para elas. As crianças conseguem captar apenas uma parte do que vêem e, não compreendendo ações longas, as intenções e mensagens dos personagens escapam-lhes em parte.

Quando assistem a cenas de violência, por exemplo, é provável que concluam à sua maneira que “é o mais forte que tem razão“. Porém, há uma coisa que compreendem sem dificuldade – obtém-se o que se pretende quando se detém o poder.

Rua Sésamo

Rua Sésamo

Os primeiros desenhos animados de ação e aventura (e violência) que apareceram em Portugal, se bem me recordo, foram os Power Rangers, o Dragonball e o Pokémon, substituindo a Rua Sésamo e o Jardim da Celeste, entre outros. Muito provavelmente, estes desenhos animados ganharam muito mais atenção, pois na altura eram novidade e as crianças eram estimuladas para a aventura e também, de forma discreta, para identificarem o bem e o mal. Mas não será muito cedo para uma criança de 6 anos começar a perceber que o mundo não é perfeito?

Eu adorei a Rua Sésamo, o Jardim da Celeste, Era uma vez o corpo humano, e tantos outros que nos “convidavam” para o mundo da fantasia e com os quais eu podia ser uma criança bem formada, pois aprendia ao mesmo tempo. Mas mesmo eu fui influenciada pela novidade dos Power Rangers (principalmente), pelas cores que eles usavam, pelos monstros que derrubavam e pelas pessoas que salvavam. Eram os heróis e eu acreditava mesmo que eles existiam e queria ser como eles! É de notar que as crianças da geração dos Power Rangers imitam os movimentos das lutas ninja e batem em quem consideram mau, dando pontapés e murros. Os Power Rangers não só dizem aos miúdos que as lutas são aceitáveis, como também lhes dizem que as lutas resultam. Pesquisas efectuadas acerca destes desenhos animados afirmam que estes novos heróis não são modelos apropriados para as novas gerações, que são muito influenciáveis. Os Power Rangers são seres humanos actuais que vão à escola e têm, aparentemente, vidas normais. Pelo facto de serem reais e não cartoons animados como, por exemplo, o Super-homem, é grande a sua influência nas crianças que esperam poder ser exactamente como eles.

Power Rangers

Power Rangers

Poderão estes programas influenciar o comportamento das crianças?

Centenas de pesquisas, realizadas a partir dos anos 60 – estudos experimentais em pequenos grupos de crianças, bem como vastas investigações efectuadas em meios diversos, utilizando técnicas muito variadas -, convergem na conclusão de que as crianças que vêem muita televisão são mais agressivas do que as que vêem pouca, ainda para mais se estes desenhos animados forem violentos. Os espectáculos violentos não afectam apenas o comportamento da criança, como também as suas crençasvalores. No geral, as crianças que vêem muita televisão temem mais a violência do mundo real e, em contrapartida, outras ficam insensíveis a essa violência -choca-as menos e reagem a ela com menor intensidade.

Estas demonstrações impressionam e afectam as crianças, pois sugerem-lhes que combater os vilões do mal, que tentam tomar conta do mundo, com técnicas ninja espectaculares é certo e dessensibiliza os mais novos acerca da violência, do choque e do terror de ver alguém a ser agredido.

A quantidade de violência presente nestes desenhos animados é consideravelmente mais elevada do que nos programas destinados a adultos em horários de grande audiência. Um estudo revelou que havia, em média, 26 atos de violência por hora nos programas infantis, apenas 5 nos programas dirigidos ao público em geral e 9 nos consideradosCriança a ver tv impróprios para menores de 14 anos. Os desenhos animados “de acção e de aventura” relatam, de fato, “questões de poder”. Para nós adultos, estes programas infantis não têm “violência”, mas temos que olhar para a criança de 5/6 anos que os vai ver e absorver à sua maneira e pensar se vale a pena estar a sujeitá-la a tal.

É muito importante ter em conta que todos, enquanto pais, irmãos, tios, primos, vizinhos, temos que ter/dar atenção a estes desenhos animados e ponderar se vale a pena correr o risco de expor a criança a tal violência, analisando se é algo bom ou mau para o seu desenvolvimento no futuro, ou se é preferível deixar que a criança seja, de facto, criança, enquanto pode!

 

Partes do texto são adaptadas de Ana Lúcia de Oliveira Morais – “As crianças e a violência na televisão”.




Colocado no dia: 8 Julho 2011 às 13:11

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Artigo escrito por: Filipa Almeida

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