A rede social

A gala dos Globos de Ouro 2011, consagrou o filme “Rede social” como melhor filme do ano, tendo arrecadado quatro Globos de Ouro (melhor drama, melhor direção para David Fincher, melhor guião para Aaron Sorkin e melhor banda sonora para Trent Reznor y Atticus Ross).
O filme retrata o nascimento controverso do Facebook, em 2003, num campus universitário norte-americano. Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, no filme), analista de sistemas graduado em Harvard, senta-se ao computador e começa a trabalhar uma nova ideia simples e poderosa.
Seis anos mais tarde e 500 milhões de amigos depois, Zuckerberg torna-se o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook.

Mark Zuckerberg, criador e diretor executivo da Facebook

Mark Zuckerberg, criador e diretor executivo da Facebook

Quer nos agrade, quer não, a verdade é que as redes sociais representam um espaço onde os nossos jovens habitam e realizam grande parte da sua aprendizagem social. O que os atrai assim tanto? O mesmo de sempre que nos levava a reunirmo-nos no largo da aldeia ou na esquina do bairro: conversar, comentar as últimas novidades, falar dos cantores, da música, dos namoros, passar o tempo com os amigos. E não são só os jovens, também os adultos (a princípio a medo) nos vamos integrando cada vez mais nas redes para tecer relações de amizade ou profissionais, para partilhar fotografias, contactar com antigos colegas aos quais havíamos perdido o rasto.

Apesar do potencial que intuímos nestas novas formas de intercâmbio social, a escola e os pais olham para elas com desconfiança. As iniciativas mais significativas levadas a cabo têm sobretudo a ver com alertar para os perigos e ameaças e informar sobre como bloquear e controlar o acesso com base em razões tão insustentáveis que não só provocam piadas dos jovens, como ajudam a disseminar truques para ultrapassar as barreiras que teimamos em erguer.

Não nos podemos limitar a alertar sobre os perigos e ameaças para a privacidade e o bem estar que as redes sociais podem trazer consigo. Em vez disso devemos utilizar, na escola, por exemplo, com inteligência, liderança e diálogo o poder das redes sociais (a motivação e o empenho dos jovens estão garantidos à partida) para trabalhar os mais diversos conteúdos. A pouco e pouco serão os próprios jovens a criar competências e utilizar recursos para, em liberdade, poderem decidir responsavelmente que identidade digital desejam construir e partilhar.

A escola e a família reagem, tantas vezes, com medo às novas tecnologias (veja-se a forma como a escola não sabe lidar com o uso de telemóveis, por exemplo) ou com deslumbramento irrefletido (o meu filho precisa de um telemóvel para eu saber sempre onde ele está). Precisamos aprender, em diálogo com os jovens, não contra eles, a explorar o seu potencial educativo, transformando o poder, o fascínio e a multiplicidade de recursos que as redes sociais oferecem em ferramentas que apoiem os processos educativos de ensino e aprendizagem com metodologias e liderança inovadoras.




Colocado no dia: 18 Janeiro 2011 às 20:29

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Artigo escrito por: Secundino Correia

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