O computador Magalhães, dirigido a crianças do 1.º Ciclo do Ensino Básico, no âmbito do programa e-escolinha, apresenta-se como um novo conceito de ensino/aprendizagem nas salas de aula de todo o país. Mas será que este Magalhães vai mudar a escola?
Inovador quanto à sua forma – pequeno, divertido e resistente ao choque e aos líquidos, e versátil quanto ao uso – na escola, em casa e em todo o lado, o Magalhães é formalmente utilizado nas escolas portuguesas desde o início do ano lectivo 2008/2009.
A partir daqui muitas questões se colocam acerca da utilização desta ferramenta, que se quer de apoio à aprendizagem, nomeadamente quando sabemos que a aquisição ou utilização deste computador é facultativa. O que faz o professor numa situação em que nem todos os alunos da turma têm o Magalhães? O que fazem os alunos que levam o Magalhães para a escola quando o professor se recusa a utilizá-lo nas aulas?
É sabido que o Magalhães traz consigo conteúdos educativos seleccionados para alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico, permitindo desenvolver competências básicas em TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação). Mas que conteúdos são esses? Apenas jogos truncados. É certo que, ao jogar, as crianças também aprendem; não colocamos em causa a importância do contexto lúdico na aprendizagem. Mas joga-se, chega-se ao fim, e pronto… não há mais; os pais terão que comprar novos softwares para “jogar”. Não seria mais proveitoso para crianças, pais e professores, o Magalhães oferecer software que permitisse imaginar, criar e construir conteúdos diversos? Pedagogicamente sabemos, através das teorias construtivistas da aprendizagem, que as aprendizagens se tornam significativas para a criança se ela
for directamente envolvida na construção das mesmas, intervindo activamente no processo, não apenas como receptora e memorizadora de informação (embora, claro, memória e aprendizagem sejam indissociáveis), mas também como interveniente responsável pelas suas aprendizagens, consciente das transformações que estas provocam.
É claro que somos a favor do uso das TIC em contexto de ensino/aprendizagem, e não colocamos em causa a pertinência da sua utilização. O que questionamos é o uso que se faz das TIC, que nem sempre é o mais adequado pedagogicamente. Ter um software que apenas nos fornece conteúdos digitais pré-embalados, e não adaptados às nossas especificidades, ou utilizar a Internet para pesquisar/copiar informação sem fazermos qualquer tipo de processamento ou análise sobre o que encontramos , não proporcionará, certamente, aprendizagens significativas.
O navegador português Fernão de Magalhães mudou o mundo ao efectuar a primeira viagem de circum-navegação; e o computador Magalhães, será que vai mudar a escola?
Colocado no dia: 26 Fevereiro 2009 às 10:12
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