Violência nas Escolas: Professores são as novas vítimas de bullying

Se este já é um tema que tem vindo a ganhar um crescente destaque, em Portugal, tem sido mais badalado ainda após o infeliz episódio que decorreu no passado mês de Março na Escola Secundária Carolina Michaelis (Porto), que teve como protagonista uma aluna que agrediu a professora por esta lhe ter confiscado o telemóvel. A violência na escola não é um problema exclusivo da realidade portuguesa, mas é um problema significativo e uma realidade vasta que atinge escolas de todo o mundo.

Este fenómeno tem ganho uma visibilidade social crescente, tanto mais que a agressividade tem revelado ser o melhor preditor comportamental de futuras dificuldades de ajustamento.
Adicionalmente, o bullying, enquanto fenómeno social, é um dos comportamentos agressivos mais estudados na literatura actual. É de salientar que, actualmente, este fenómeno não acontece apenas entre crianças, a violência na escola que atingia apenas crianças e jovens, está agora a aterrorizar os professores. É crescente o número de professores que também são vítimas de bullying.

É crescente a importância e a necessidade de investigação nesta área, bem como a partilha de resultados dessa mesma investigação de modo a que seja possível actuar preventivamente em contexto educativo. Este fenómeno é mais conhecido entre nós como fenómeno de Violência e Agressividade em contexto Escolar, mas por norma começa a dar os primeiros sinais com situações de indisciplina que se vão acentuado e agravando, quer em contexto de sala de aula, quer em outros espaços escolares.

Quando as crianças ou jovens são vítimas de bullying, ou mesmo de agressões esporádicas, têm tendência para se refugiarem no silêncio, quer por receio de represálias, quer por vergonha. A situação é descoberta quando observadores atentos, como os pais ou professores, detectam sinais que revelam o problema. Sintomas antes inexistentes podem servir de alerta, tais como: dificuldade em adormecer, falta de apetite, tristeza, falta de vontade de ir ao recreio, o retardar a saída da sala, interacções suspeitas entre os membros da comunidade escolar e quebra do rendimento escolar.

Quanto aos professores, se alguns casos chegam à imprensa e aos tribunais, a maior parte fica também no silêncio. Que razões levam os professores a não denunciarem estas situações? Podem-se incluir, entre outras, a vergonha, o receio de represálias, a morosidade dos processos judiciais, o descrédito na obtenção de justiça, etc..

No passado ano lectivo, de acordo com os dados do Observatório da Segurança Escolar, foram registadas 185 agressões a professores nas escolas e nos arredores, ou seja, uma média de um caso por dia, contabilizando apenas os dias de aulas.

Numa entrevista à Agência Lusa, Maria Beatriz Pereira, investigadora do Instituto de Estudos da Criança, autora de várias obras sobre a violência escolar, docente da Universidade do Minho e presidente da Comissão Directiva e Cientifica de Doutoramento em Estudos da Crianças, afirma que “a violência na escola que atingia crianças e jovens, está agora a aterrorizar os professores”, actualmente, e cada vez mais, “os professores são as novas vítimas do bullying”. A investigadora revela a sua preocupação em relação à forma como o bullying, a agressão continuada e sem motivo, está a atingir a comunidade escolar e, de forma cada vez mais grave e sistemática, os professores.

Estaremos perante um “ciclo vicioso”..?

  • …os professores têm dificuldade em controlar os alunos…
  • …não conseguindo incentivá-los…
  • …os alunos ficam cada vez mais desmotivados…
  • …o insucesso escolar aumenta…
  • …e, segundo os resultados dos trabalhos desta investigadora, quanto maior é o insucesso escolar maior é a incidência de bullying, pois maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros.

O facto é que este problema já não se verifica apenas entre os alunos, pois são as mesmas crianças e jovens que “maldosamente” agridem e maltratam os colegas no recreio, que dentro da sala de aula ofendem os professores, chamam-lhes nomes e ameaçam-nos, não necessariamente com agressões físicas, mas com avisos de que, por exemplo, lhes destróiem o carro.

Maria Beatriz Pereira refere que, de todas as formas de bullying, as que mais parecem deixar marcas nos professores são, a humilhação junto de colegas e alunos e as observações maldosas sobre o aspecto físico ou a forma de vestir dos professores. “O que caracteriza o bullying é que há sempre um controlo através do medo e isso tanto acontece junto de crianças como de adultos”, afirmou.

Revela-se urgente e de extrema importância que a solução para este tipo de situações vá para além de uma queixa ao conselho executivo e de “dar uma palavrinha” aos encarregados de educação. Na perspectiva da investigadora, a melhor solução para reduzir os efeitos das agressões físicas e verbais, passaria por a escola tomar as rédeas neste tipo de casos, criando regras rígidas e punições para quem não as cumprir.

“A comunidade educativa tem que reconhecer a existência do problema, criar um grupo de trabalho com ligação directa à direcção da escola que proceda ao diagnóstico da realidade a partir da qual, uma equipa vai definir as regras de intervenção”, sustentou Maria Beatriz Pereira.




Colocado no dia: 28 Abril 2008 às 0:00

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Artigo escrito por: Eliana Ceia

Comentários


Um Comentário em “Violência nas Escolas: Professores são as novas vítimas de bullying”


  1. Isaura Silva diz:

    Gostaria de saber se há algum apoio a professores vítimas de bullying. este é o 2º ano em que sou vítima de uma turma e a Direção é ineficaz e a minha vontade, neste momento, é desaparecer.


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