Uma das melhores formas de consolidar uma determinada aprendizagem é tentar ensinar esse mesmo tópico a outra pessoa. Em muitas situações do dia-a-dia, costumamos ver os alunos a desempenhar papéis de professor uns com os outros, seja a ajudar os colegas na aula, ou nos trabalhos de casa, ou mesmo a ajudar os professores mais “tímidos” no manuseamento de algumas tecnologias. Sabemos que as crianças podem ensinar, mas até que ponto poderemos aproveitar essa competência como força educativa latente e colocá-la ao serviço da escola?
Há muito que os especialistas em Educação, e sobretudo na sua relação com as TIC, consideram que os alunos podem ser autênticos parceiros na aprendizagem. Dan Buckley, consultor da Cambridge Education, reconhecia já na década de 90 que os alunos estão muito “à frente” no que diz respeito às tecnologias digitas. Algumas experiências que encetou, nas quais os alunos eram convidados a desenvolver algumas competências e a passá-las aos seus colegas, tiverem óptimos resultados, tanto num formato como no outro.
O autor lembra, contudo, que, para tirar o maior partido dessa colaboração, toda a escola deve estar em consonância com esta forma de aprendizagem e considerar que “se alguma coisa é ensinada por um aluno a outro, tem que ter o mesmo valor como se tivesse sido ensinada por um professor”. “Uma das melhores características desta abordagem é o facto de naturalmente ser baseada na colaboração”, diz o especialista. É preciso trabalhar em equipa e saber desempenhar os vários papéis e competências. “Antigamente, víamos alunos a fazer filmes que podiam ser utilizados por professores. Agora vemos professores que querem fazer filmes para os alunos, e que lhes pedem a sua ajuda. Existe uma relação simbiótica”.
No entanto, a ideia de que os alunos, individual ou colectivamente, podem determinar de alguma forma o conteúdo da sua Educação e o ambiente em que isso pode ocorrer, assusta muito os professores, e requer, na sua opinião, uma gestão cuidada. A titulo de exemplo, o autor relata uma experiência numa escola em Weston-super-Mare, North Somerset (Reino Unido) onde foi entregue aos alunos a tarefa de conceber e criar a plataforma de realidade virtual da escola. Ensinaram os professores a utilizar redes de Internet, a aproveitá-las ao serviço dos trabalhos e actividades da escola, das várias disciplinas. Foi criado um verdadeiro projecto de futuro, envolvendo também os pais e a comunidade local, quase sem necessitar de colaboração por parte dos adultos.
Fonte: Revista Vision, Jan-Junho 2008, http://www.futurelab.org.uk/resources/publications_reports_articles/vision_magazine/VISION_Article878.
Imagem 1: Fernando Pinho, Concurso De Fotografia Dia do Professor; Imagem 2 Germano Martins, Concurso De Fotografia Dia do Professor.
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