Inteligência Emocional e Robótica na Educação

 

A tecnologia deve contribuir para a capacitação (empowerment) dos professores e dos alunos, que devem controlar a tecnologia e não ser controlados por ela. Para tal a tecnologia na escola precisa ser móvel, discreta (quase invisível) e estar permanentemente acessível.

Alunos e professores devem preferencialmente ser autores e não consumidores, utilizando a tecnologia como mais uma ferramenta ao serviço de uma aprendizagem enriquecida.

Segundo Dave Catlin e Blamires (2007) os robots podem ser uma tecnologia de grande utilidade em contextos educativos desde que obedeçam a uma série de princípios e possuam certas características, entre outras: inteligência, corpo, capacidade de interacção e relevância para o currículo.

A inteligência de um robot educacional consiste na capacidade de assumir comportamentos adequados para um desempenho inteligente em actividades educativas diversificadas. Estes comportamentos podem e devem ser controlados e modificados pelos professores e alunos, de modo a melhor se ajustarem aos objectivos de aprendizagem.

Corpo significa capacidade de interagir fisicamente; significa que eu posso tocar, sentir e envolver-me (inclusive emocionalmente) no mesmo espaço e no mesmo tempo.

A interacção é uma das bases da aprendizagem. O ser humano é naturalmente um aprendiz activo. A interacção com robots estimula uma variedade de canais (visual, auditivo, cinestésico) e promove a emergência de sistemas semióticos que estimulam e tornam a aprendizagem mais produtiva e significativa.

Para tal é importante que os robots estejam contextualizados em cenários de aprendizagem integrados no currículo escolar normal, dispondo os professores de metodologias e estratégias diversificadas.

Estas e outras questões estão a ser investigadas pelo projecto europeu LIREC (LIving with Robots and intEractive Companions), liderado pela Queen Mary University of London, no qual participam dez parceiros, sendo dois de Portugal: a CNOTINFOR e o INESC-ID. O principal objectivo do projecto é estudar a forma como o ser humano pode estabelecer relações de longo prazo com robots e companheiros virtuais e as implicações que isso pode ter no seu desenho, construção e usabilidade.

O projecto LIREC vai desenvolver uma nova geração da tecnologia dos companheiros virtuais, dotando-os de inteligência emocional e social, características fundamentais para que se estabeleçam relações de longa duração, quer em mundos virtuais, quer em cenários reais. O projecto levará a cabo as primeiras experiências a nível mundial sobre a forma como reagimos perante um “companheiro”, quando ele migra de um ecrã de computador para um telemóvel ou de um PDA para um corpo robotizado.

O Professor Peter McOwan, do Departamento de Ciências da Computação da Queen Mary University explica assim o projecto: “Estamos interessados na forma como as pessoas desenvolvem relações duradouras com criaturas artificias em contextos do dia a dia. Talvez não venhamos a conseguir para já um robot que levante a mesa e lave os pratos; esperamos, no entanto, poder contribuir para desenvolver essa futura tecnologia amigável, começando a prever e a desenhar a forma que assumirão as futuras máquinas inteligentes e o modo como iremos interagir com elas.”

A Cnotinfor irá desenvolver experiências em escolas e famílias, onde crianças e adultos irão estabelecer relações duradouras com robots e com companheiros virtuais, no sentido de avaliar o impacto que, quer uns, quer outros poderão ter na aprendizagem quando dotados de inteligência social.

O nosso interesse é desenvolver produtos em que a interacção com as tecnologias emergentes provoque aprendizagens significativas. O desafio não é criar robots ou agentes virtuais mais inteligentes, mas descobrir que características deverão possuir para que as nossas crianças sejam mais inteligentes; ou seja, desenvolvam as suas inteligências múltiplas e tenham uma intervenção compreensiva e activa no mundo cada vez mais complexo em que vivemos.

Outro campo em que o projecto LIREC pode ter resultados importantes é no apoio a cidadãos com capacidades diferentes, ajudando-os a superar as suas deficiências e ampliando as suas capacidades. A mesma tecnologia poderá ainda ser utilizada no apoio à decisão quando vamos às compras virtualmente ou quando precisamos de ajuda para gerir os nossos recursos financeiros.

O projecto envolve um co-financiamento do 7º Programa Quadro da União Europeia no valor de 8,2 milhões de Euros, tendo iniciado em meados de Abril e desenvolvendo-se até finais de 2012.

  • CNOTINFOR

A Cnotinfor, fundada em 1988, é uma empresa de inovação focada na área da Aprendizagem Enriquecida pela Tecnologia, procurando estar na vanguarda do desenvolvimento de competências cognitivas básicas e da aprendizagem interactiva.

  • Queen Mary, University of London

A Queen Mary, University of London é uma das principais instituições de ensino superior no Reino Unido, focada na investigação, com cerca de 13000 alunos de licenciatura e pós-graduação, oriundos de mais de 100 países.

in Revista Perspectiva, edição mensal com o jornal “O Público”
(02 de Agosto de 2008)

 

 




Colocado no dia: 29 Agosto 2008 às 18:43

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Artigo escrito por: Secundino Correia

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