O número de projectos TIC nas escolas portuguesas tem crescido de modo significativo. Temos assistido a inúmeras divulgações de projectos nos órgãos de comunicação social, que reflectem uma “nova era” tecnológica na vida das nossas escolas. Como docente e investigador na área da Tecnologia Educativa vejo com satisfação a motivação de várias entidades para o desenvolvimento destes projectos mas, por vezes, conheço realidades com as quais fico preocupado.
As minhas preocupações centram-se, essencialmente, a dois níveis:
A primeira preocupação materializa-se no facto de conhecer alguns projectos onde a grande preocupação é equipar as escolas com vário hardware garantindo, muitas vezes, indicadores de sucesso tecnológico como é o caso do número de alunos por computador. Tive oportunidade de visitar projectos onde, por exemplo, eram adquiridos vários equipamentos sem conhecer as motivações dos professores para o projecto e sem terem sido definidos objectivos de natureza pedagógica para o mesmo. Além disso, encaro a tecnologia, tal como outros investigadores, como um recurso ao dispor da educação e que deve ser utilizado como “apenas” mais um recurso entre outros. No entanto, assisto a projectos onde a educação vive em redor da tecnologia.
Além disso, muitas vezes os projectos estão muito bem desenvolvidos ao nível de hardware mas empobrecidos quanto ao software. Tenho verificado, que, em alguns casos, são utilizados recursos de fraca qualidade educativa e que foram desenvolvidos para outros sectores da sociedade que não a Educação.
Por outro lado, alguns recursos, como por exemplo o software educativo, são seleccionados por critérios que nem sempre garantem a qualidade desejada. Assisto por isso, à utilização de softwares educativos centrados num cumprimento do currículo e pouco preocupados no desenvolvimento de competências. Acresce ainda o facto, que na maior parte dos casos os professores não têm qualquer envolvimento na escolha desses recursos, rejeitando a sua utilização por clara inadequação às realidades da didáctica.
Quanto à segunda preocupação (o nível de conhecimentos técnicos e didácticos dos professores) enumero, antes de mais, o facto de alguns professores ainda possuírem dificuldades na utilização básica das tecnologias. Contactando com vários professores ao nível da formação contínua, encontro dificuldades sobre estratégias de utilização educativa da tecnologia. Os professores manifestam necessidades de formação ao nível da promoção de estratégias para a efectiva integração das tecnologias nas actividades curriculares.
O conjunto destas duas preocupações, a participação em vários projectos e a experiência na formação inicial e contínua de professores levam-me a enumerar os factores de sucesso para a implementação de projectos TIC nas escolas:
Estes factores, na grande maioria dos casos, fazem a diferença entre o sucesso e o insucesso dos projectos. Estou em crer que todos desejamos que a tecnologia potencie a descoberta de novos mundos, revele experiências inovadores e que promova o sucesso educativo.
Os melhores projectos TIC nas escolas são aqueles que retiram do centro de atenções a tecnologia e a substituem pela pedagogia. Nesta metodologia, as escolas necessitam de encontrar no mercado produtos de qualidade superior que sejam desenvolvidos com preocupações educativas, que permitam a diferenciação pedagógica, a inclusão e a participação activa de alunos e professores na sua parametrização.
Bibliografia:
Miguel Dias
Docente da Escola Superior de Educação de Torres Novas
Doutorando na Universidade dos Açores
Consultor Educacional
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Já lá vão 3 anos e continua atual.