Dois para um ou um para dois: a miragem das estatísticas

Dois para um ou um para dois: a miragem das estatísticas

Um traço comum salientado por vários autores é o carácter irreversível da presença da tecnologia na vida dos nossos dias. Quer a defendam, quer a condenem, quer não tenham chegado ainda a uma posição definida acerca do impacto das TIC no ensino e na aprendizagem, das suas vantagens/benefícios ou desvantagens/prejuízos, quase todos os autores destacam a necessidade de aprender a conviver com a tecnologia e a tirar dela o melhor partido possível para um desenvolvimento harmonioso.

A investigação alerta, por outro lado, para a importância de ter em consideração em qualquer estudo nesta área o factor “tempo” e não basear-se apenas nas primeiras impressões ou observações. Por vezes, os primeiros benefícios só aparecem ao fim de meses, ou mesmo anos. A observação e experimentação deverão ser consistentes e extensas.

A tecnologia só faz sentido na educação, se trouxer inovação na forma de fazer e de pensar. As actividades desenvolvidas em redor da tecnologia devem, pois, ser perspectivadas como novas oportunidades educativas, mas integradas num todo que lhes atribuirá e reforçará o seu sentido.

Convém não esquecer também que a tecnologia não é “mágica”, não produz alterações ou transformações só por si, mas tem antes um papel de ingrediente, junto de outros necessários para o “bolo” que é a Educação nos nossos dias. A tecnologia não é uma panaceia para a reforma do ensino, mas ela pode ser um catalisador significativo para a mudança. Dois alunos por computador não significa absolutamente nada em termos da qualidade das aprendizagens, da inovação das metodologias e das estratégias, da apropriação e construção do conhecimento.

Em jeito de conclusão final, com base na literatura disponível e na nossa experiência pessoal e profissional, concluímos que a Tecnologia, quando utilizada de forma apropriada, planeada, com objectivos claros e adaptados à realidade, é um instrumento muito poderoso quer para a motivação, estimulação da criatividade e da aprendizagem, quer para o desenvolvimento global dos alunos, como também para a promoção de novas formas de interacção social. Os benefícios identificados parecem superar largamente os eventuais prejuízos.

Secundino Correia

“Diz-me e esquecerei… Ensina-me e lembrar-me-ei… Envolve-me e aprenderei.”    

(Autor desconhecido)




Colocado no dia: 11 Junho 2008 às 0:00

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Artigo escrito por: Secundino Correia

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