Cientistas portugueses desenvolvem o primeiro transístor de papel

No passado dia 21 de Julho, o jornal Público avançou com a notícia de que Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa desenvolveram os primeiros transístores de papel, uma descoberta que pode permitir a criação de sistemas electrónicos descartáveis de baixo custo.

“O transístor é a peça de lego para construir qualquer coisa”, explicaram Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, os coordenadores do grupo de investigação Cenimat/I3N, responsável pela descoberta.

Os transístores nasceram no final dos anos 40 e divulgaram-se nos anos 60, substituindo as válvulas utilizadas nos computadores e nas redes telefónicas. Tiveram o condão de reduzir o tamanho dos equipamentos, aumentar a velocidade e a durabilidade. Hoje, qualquer aparelho com um circuito integrado contém estes “interruptores” electrónicos.

O “interruptor” é formado por três componentes. Um material semicondutor que tem uma entrada e uma saída, chamadas fonte e dreno, por onde passa a corrente. E uma porta que é o que induz e controla a corrente, mas que está separada do semicondutor por um material isolante, impedindo curto-circuitos.

Esta porta, que “liga” e “desliga” o transístor, equivale ao sistema binário 0/1 em que toda a informação está codificada. É assim que os computadores, os ecrãs, os telefones, as aparelhagens funcionam. Com muitos milhões destas unidades.

O material isolante, que é a componente dieléctrica do transístor, é feito de vários materiais como o silício. As unidades são construídas a 1200 graus célsius, por exemplo. Agora, os investigadores conseguiram o fabrico à temperatura ambiente, utilizando papel que é um “2 em 1” porque também funciona como o suporte do transístor.

A celulose tem outras propriedades e não é tão boa como o silício. “Mas pode-se fazer sistemas descartáveis a baixo custo”, explicou Elvira Fortunato. E mais, pode dobrar-se que não se estraga. Estas características permitem explorar várias ideias como ecrãs de papel, etiquetas, pacotes inteligentes, chips de identificação ou aplicações médicas.

“Pode utilizar-se nos sensores biológicos para diagnóstico [na saúde]. Muitos sensores são de papel, funcionam através de uma reacção química, com o transístor pode haver uma mais-valia”, exemplificou a investigadora.

O artigo com a descoberta já foi aceite pela revista científica “Electron Device Letters” e vai ser publicado em Setembro. O pedido de patente também está feito. Agora é só ficar à espera de uma próxima plataforma digital que, antes de se deitar fora, ainda pode servir como post-it, porque, como explica a investigadora, os novos transístores “não deixam de ser papel”.




Colocado no dia: 1 Agosto 2008 às 0:00

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Artigo escrito por: Eliana Ceia

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