Vygotsky (1896-1934), um importante pensador e psicólogo bielo-russo, foi o pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interacções sociais e condições de vida. Segundo Vygotsky, a aprendizagem é um processo social possibilitado através da área de desenvolvimento proximal (a distância entre a zona de desenvolvimento real) e o nível de desenvolvimento potencial (aquilo que a criança ainda não sabe, mas que pode aprender). A zona de desenvolvimento proximal (ZDP) pode ser ilustrada através daquilo que a criança faz hoje com auxílio de adultos ou mesmo de crianças mais hábeis, mas que amanhã poderá fazer por si mesma. A ZDP é, portanto, tudo o que a criança pode adquirir em termos intelectuais quando lhe é dado o devido suporte educacional. Vygotsky destacou a importância de brincar para os processos de aprendizagem e desenvolvimento da criança, pois é através destes que a criança reproduz experiências e vivências que capta do mundo exterior e se relaciona com outras crianças.
As crianças precisam de atravessar diversos estádios na aprendizagem do que consiste brincar em conjunto, antes de serem capazes de aproveitar as brincadeiras de grupo. Sob o ponto de vista da participação social, podemos identificar diversos tipos de brincadeiras, cada um deles implicando um maior envolvimento entre as crianças e uma maior capacidade de estas se relacionarem e comunicarem com os outros:
Existem dois tipos característicos de brincadeiras nesta última fase. O primeiro envolve fazer o que todos estão a fazer, apenas para não ser diferente, ou talvez como um meio de tornar-se um membro do grupo. É o que pode acontecer, por exemplo, quando um pequeno grupo de crianças corre juntas, gritando qualquer coisa. O segundo surge quando membros do grupo estão envolvidos numa mesma actividade, como por exemplo, desenhar ou montar um quebra-cabeças em volta de uma mesa, tendo porém, como principal interesse, conversar entre si.
As brincadeiras sociais vão-se desenvolvendo á medida que a criança descobre como comunicar com as outras, usando a palavra. De um modo geral, é por volta dos dois anos de idade que a criança começa a interessar-se em observar outras crianças enquanto brincam, e até tentar brincar com elas. Mas estas crianças são sempre suas rivais, e quando encontra problemas, recorre à protecção de um adulto. Aos três anos a crianças começa a brincar em grupo e, a partir dos quatro anos, gosta de todos os tipos de brincadeiras.
Por norma, a criança que brinca sozinha leva mais tempo a atravessar os diversos estádios que conduzem ao brincar em grupo. Não se deve forçar uma criança a participar em brincadeiras em grupo se ela não quiser, pois é possível que ela não saiba como o fazer, por ainda não estar preparada. À medida que a criança cresce, ela vai apre(e)ndendo várias brincadeiras, começa a gostar de brincar com outras crianças, não perdendo a necessidade nem o interesse, tal como acontecia em estádios–de desenvolvimento anteriores.
A melhor maneira de ajudar a criança a aprender a brincar é respeitar o seu próprio ritmo, ajudá-la e encorajá-la, se necessário. Se a criança tem a oportunidade de brincar com outras crianças da mesma idade, a maioria delas aprende, e antes dos cinco anos, saberá dividir, compartilhar e conviver bem em grupos. É importante proporcionar à criança muitas oportunidades de atravessar os diversos estádios de aprendizagem. Além disso, é igualmente importante ter ideia do que fazer durante as actividades das crianças, para tornar as coisas mais fáceis para elas. Assim, os adultos podem desempenhar várias funções: 
Nunca devemos esquecer que brincar é altamente importante na vida da criança. Primeiro por ser uma actividade pela qual ela já se interessa naturalmente e, segundo, porque desenvolve a sua percepção, a sua inteligência, a sua tendência para a experimentação e os seus instintos sociais.
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