Quem são os melhores professores?
Nesta BICA queremos destacar alguns momentos preciosos da partilha que ocorreu no workshop “Internet – navegar com segurança“, em que pais, avós e educadores tiveram oportunidade de apresentar as suas preocupações, as suas práticas e reflectir sobre eventuais soluções criativas para os problemas que se colocam.
Resultou claro que, por mais que queiramos, há um fosso (podem criar-se pontes) entre a “Geração Net” e os adultos. Nós, adultos, vamos à Internet, referiu Tito de Morais, os adolescentes e os jovens estão na Internet. No sentido de criar pontes e ultrapassar barreiras ficou claro que os melhores professores para os adultos e as pessoas maiores que pretendem iniciar-se na navegação são os adolescentes com 10 / 12 anos. Têm o conhecimento e a paciência necessários para serem excelentes companheiros de aprendizagem. É claro, ficamos sujeitos a piropos do tipo: “Aprende avó, que eu não duro para sempre!” E é verdade, pois a partir de certa altura já não têm pachorra para a nossa lentidão e preferem fazer em 3 tempos o que levariam uma eternidade a ensinar-nos.
E, o que é que nós, os mais velhos, podemos fazer? Muita coisa:
Evitar colocar o computador no quarto do filhos – deve estar num local acessível a todos que permita ao mesmo uma certa privacidade, mas também um certo controlo e interacção. A segurança não é tanto uma questão tecnológica, mas sobretudo uma questão relacional. Manter o diálogo aberto, sem tabus, é fundamental. Conversar sobre os perigos e forma de os evitar; desmistificar ideais feitas; incentivar o pensamento crítico e reflexivo que questiona a veracidade e a qualidade do publicado, procura as fontes, compara, reconstrói…
Cabe aqui também aos professores um papel importante no combate positivo à doença “copiar e colar”, adoptando estratégias e metodologias de investigação quando se utiliza o recurso Internet. Temos, sobretudo, que evitar a ilusão de controlar e proíbir. O desafio é como utilizar os recursos disponíveis de forma crítica e criativa.
Filtros e soluções tecnológicas que ajudem a proteger os nossos filhos quando navegam na Internet poderão também ser utilizados, não porque sejam a solução, mas porque as nossas crianças têm direito a não ser agredidas e violentadas e por isso devemos tomar as medidas possíveis para tal. As soluções tecnológicas não podem, no entanto, substituir a relação de confiança e mútua aprendizagem, a adopção de regras baseadas no diálogo, na disciplina e na responsabilização. Os filtros, por mais sofisticados, podem sempre ser torneados e há ainda a Internet móvel, a casa dos amigos, tantas situações que nunca vamos poder controlar. O verdadeiro e único controlo é o auto-controlo, fruto de um trabalho árduo de diálogo, partilha, responsabilização e aprendizagem mútuas.
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Os nosso parabéns à ACMedia pela iniciativa e ao Dr. Tito de Morais pelo pioneirismo e espírito de missão que desde há vários anos coloca nesta causa.
Secundino Correia
“A educação é a experiência mais característica da condição humana, uma das poucas coisas que podem realmente mudar uma pessoa, dar-lhe um caminho, alargar-lhe as suas limitadas possibilidades.
O dia em que aprendemos alguma coisa importante, o dia em que mudámos alguma coisa importante por causa dessa aprendizagem, não é um dia comum.”
Lomba, P. in Diário de Notícias (2004)
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