O Natal está mesmo aí. Esta quadra natalícia traz-nos com maior vivacidade à nossa mente, o sentido e a responsabilidade de ser mãe e de ser pai, mesmo para quem não o é na verdade. A Maternidade não é fácil, sabemos, sobretudo no mundo em que hoje vivemos, onde somos chamados (sobretudo as mães) a estar em todos os lados, a ser os melhores em casa, no trabalho, na sociedade. A propósito destas questões, apresentamos uma sugestão de leitura: o livro Perfetc Madness – Motherhood in the Age of Anxiety (2005), da autoria de Judith Warner, EUA (trad: Loucura Perfeita – Maternidade da Idade da Ansiedade). Um livro que, sem pretender ensinar ninguém a educar, ajuda a perceber que não estamos sozinhos, que outros sentem e pensam o mesmo que nós.
Em 2001, Judith Warner escreveu um artigo para o Washington Post acerca da diferença entre as mulheres americanas (dos Estados Unidos) e as Francesas, depois de ter vivido em França durante 5 anos e verificado que existiam grandes diferenças no desempenho dos papeis maternais nas duas sociedades. Foi este seu artigo que deu depois origem ao livro de que falamos. No site oficial do livro podemos ler: “trata-se de um olhar vivo e provocativo sobre a cultura moderna da maternidade e sobre as forces políticas, sociais e económicas que forma e influenciam as actuais concepções de parentalidade”. Foi escrito com base no depoimento de entrevistas a dezenas de mães.
Depois de olhar cuidadosamente para o mundo das mulheres-mães modernas, que trabalham, que amam, que cuidam da casa e dos filhos, que fazem carreiras admiráveis, a autora sentiu necessidade de "estudar" estas "super mães". Quando Warner teve o seu primeiro filho, vivia em Paris onde havia amas subsidiadas pelo Estado, com as quais os pais deixavam os filhos em sua casa e saiam para compromissos sociais. Ao regressar aos EUA, encontrou muitas mães tristes e insatisfeitas, excessivamente preocupadas com a possibilidade de não ter filhos perfeitos, de não serem perfeitas enquanto mães. O livro que escreveu procurou ser uma junção das várias concepções e suposições que recolheu acerca desta sua teoria, procurando examinar quais as forças que as estão a moldar.
A autora considera o livro como muito pessoal. Tenta dar uma ideia daquilo que é a maternidade, ou a parentalidade os dias de hoje em Washington. Não pretende ensinar a educar os nossos filhos. Consiste sobretudo da exploração de um sentimento que muitas mães parecem ter de que estão a fazer algo errado. Este sentimento é, por vezes, um misto de culpa, ansiedade, ressentimento, arrependimento, e retira muita energia e forças que a mãe precisa ter, para desempenhar este seu papel. Este sentimento tem muitas caras, mas não tem um nome. Não é depressão, nem é opressão, é um certo desconforto, uma confusão/desordem, muito difícil de categorizar ou explicar.
Mesmo as mães que se sentem numa situação privilegiada, em que podem fazer escolhas, que conseguem equilibrar bem família e trabalho, com soluções alternativas como trabalhar a meio-tempo, ou à noite depois de deitar os miúdos, sentiam que mesmo assim algo não estava bem. Trabalhar até tarde significa andar mais cansada e irritada, o que prejudica a relação com os filhos. Então, o que podemos fazer? – pergunta a autora. Mães que trabalham a meio tempo, abdicando de salários mais elevados e de carreiras menos promissoras, acabam por ver as suas vidas à volta do avental, do esfregão, da mercearia, das consultas no dentista, dos fatos para a festa da escola, das roupas interiores espalhadas pelo chão, sem oportunidade para ler descansadamente um jornal ou tomar o pequeno-almoço em sossego, por exemplo. Por vezes, surge uma sensação de perder o controlo da situação. De tempos a tempos, vem uma sensação de que se vai rebentar, que não se aguenta mais, e surge a pergunta: será que tudo isto vale a pena?
Certamente que sim… se alma não é pequena.
Fonte: http://www.perfectmadness.net/
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