As crianças de hoje quando crescerem vão encontrar um mundo que lhes exige diversas competências, para poderem lidar com os problemas globais deste nosso planeta. Saber pensar é uma delas. As formas tradicionais de aprendizagem não serão suficientes. Será preciso investir consideravelmente na activação das competências para Pensar. Um grupo de investigadores da Irlanda do Norte (ACTS – Activating Children’s Thinking Skills), liderado por Carol McGuinness e Noel Sheehy realizaram um trabalho de investigação junto de escolas do I ciclo para desenvolver e analisar o tipo de abordagem e formas de comunicar em sala de aula que pode ajudar as crianças a “pensar sobre a sua forma de pensar”. O objectivo principal consistiu em criar aulas que possam juntar conteúdos das disciplinas com capacidade para pensar, e daí resultar uma “infusão”. O software Mapa de Ideias pode ser uma excelente ajuda nesta tarefa.
Para explicar como funciona o processo de pensar e os seus vários passos, a ACTS utilizou os “diagramas de pensamento”. Por exemplo, um diagrama para tomada de decisões: convida os alunos a considerar e escrever todas as opções, uma de cada vez, e para cada uma devem ser apontados os prós e os contras de cada opção. Devem depois ser “pesados” antes de qualquer acção ou decisão. A utilização de diagramas permite desacelerar o processo de pensar, dando aos alunos mais tempo para agarrar melhor as suas ideias e pensar sobre elas.
A ACTS considera que uma "boa capacidade para pensar" está intimamente relacionada, tanto com a disposição para ser um bom pensador, como com as competências e estratégias inerentes à tarefa. Os investigadores encontraram uma espécie de cenários diferentes de acordo com formas distintas de pensar, em diferentes situações. Por exemplo, “sequenciar” é uma das competências para “procurar sentido” e pode ser útil para Ciências ou História. Outras categorias que encontraram são: “pensamento crítico”, “tomada de decisão”, “resolução de problemas” e “pensamento criativo”. Todas estas competências só fazem sentido se estiverem proximamente relacionadas com as matérias das várias disciplinas.
O trabalho da ACTS permitiu concluir que os professores necessitavam de apoio nos seguintes pontos: reconhecer a necessidade de se ser explicito acerca do processo de pensamento e do seu conteúdo; aumentar a sua própria compreensão acerca das competências para pensar; identificar contextos e tópicos dentro do currículo que podem ser cruzados com determinadas competências para pensar; desenvolver planos de aulas que conjuguem competências elevadas para pensar e objectivos curriculares; desenvolver um vocabulário para falar sobre pensar, que se adeqúe aos alunos em cada estapa.
Os professores que participaram neste projecto, indicaram que, ao longo da implementação deste projecto, a sua própria imagem de si como professores foi alterada, a sua forma de pensar melhorou, as suas expectativas relativamente às crianças melhoraram, foram desenvolvidas novas estratégias de questionamento. Os investigadores descobriram ainda que estas abordagens requeriam uma atenção especial às crianças com mais dificuldades. Apesar de as suas estratégias terem melhorado, a sua auto-imagem não acompanhou esta melhoria. Os professores dizem que, de uma maneira geral, as crianças ganharam formas de raciocínio mais enérgicas e maior criatividade. Eram mais capazes de clarificar e estruturar o seu pensamento e de visualizar ligações entre as várias áreas do currículo. Os recursos visuais como os diagramas e cartazes, ajudaram a pensar e a reflectir.
Fonte: http://www.tlrp.org/pub/documents/Principles%20in%20Practice%20Low%20Res.pdf
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