Quando ouvimos falar em portfolio, a primeira imagem que nos surge é a dos portfolio dos artistas plásticos, fotógrafos, actores de teatro e cinema. Normalmente, o seu portfolio consiste numa colecção dos seus trabalhos já realizados ou em desenvolvimento, através da qual procuram comprovar as suas capacidades criadoras e artísticas, evidenciar as suas características pessoais e profissionais. No entanto, nos últimos anos, outras áreas profissionais têm descoberto no portfolio um instrumento autêntico e precioso na avaliação do desenvolvimento. Concretamente na área da Educação, diversas experiências têm sido realizadas no sentido de utilizar o portfolio quer na avaliação do professores em formação, quer na aprendizagem dos alunos.
Neste sentido, o que é, então, um portfolio e como pode ser utilizado na avaliação dos alunos?
Um portfolio de evidências de aprendizagens é uma “colecção organizada e devidamente planeada de trabalhos produzidos por um aluno ao longo de um dado período de tempo, e que procura evidenciar as diversas componentes do seu desenvolvimento (cognitivo, metacognitivo, moral, afectivo…) e do seu percurso escolar". Essas evidências incluem todas as áreas do programa, os diferentes modos de trabalho, as oportunidades de aprendizagem criadas, o envolvimento dos alunos e dos pais. Utilizando as palavras de Sá-Chaves (1998:140), é como se fosse "uma longa, longa carta, sempre enviada a si próprio e ao formador (professor) e também sempre devolvida, porém, sempre enriquecida por nova informação".
O portfolio poderá, pois, incluir diversos itens, conforme a sua definição e organização, e de acordo com o contexto concreto em causa. Vejamos alguns exemplos:
O portfolio pode apresentar inúmeras vantagens, quando bem planeado, organizado e planeado. A avaliação é mais autêntica, pois decorre directamente do desenvolvimento das tarefas da aprendizagem; é mais participada, porque envolve a partilha do poder entre professor, aluno e pais; é reflexiva, pois permite rever critica, consciente e sistematicamente o trabalho feito; estimula o desenvolvimento da autonomia; promove a descoberta, a pesquisa e a experimentação; desempenha um papel importante na estruturação e organização do currículo; proporciona ao professor um melhor conhecimento acerca do aluno, das suas características, das suas necessidades, da metodologia que melhor se adapta a cada um; contribui para o aumento da auto-estima do aluno, na medida em que tem mais possibilidades de mostrar o que sabe e o que consegue fazer.
Contudo, esta forma de avaliação é apenas válida em determinados contextos educativos. Isto é, são necessárias algumas alterações à forma "tradicional" de ensino-aprendizagem mais comummente utilizada na sala-de-aula. Pressupõe-se um ambiente de aprendizagem que valoriza as capacidade de reflexão, análise crítica, aprendizagem pelo erro, cooperação, partilha de poder, que propõe diversas oportunidades para os alunos mostrarem as suas reais capacidades (e não se centre exclusivamente nos testes de avaliação), que tem por base a responsabilização dos alunos pelo seu próprio trabalho e a sua crescente autonomia.
É esta forma de encarar a aprendizagem que se encontra subjacente nos produtos desenvolvidos pela Cnotinfor. O software Aventuras 2 (brevemente também em inglês), por exemplo, contém precisamente uma área na qual o aluno pode criar o seu portfolio de trabalhos, ao ritmo das suas capacidades, e a partir deles criar jogos para treinar os conhecimento adquiridos, de uma forma lúdica e desafiante. O professor pode visitar esse portfolio e desta forma melhor orientar o aluno quando necessário.
Fonte: Correio da Educação (suplemento) Novembro de 2000
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