Os dados publicados pelo PISA (Project for Internacional Student Assessment), relativamente a estudos comparativos internacionais sobre a educação indicam que os alunos finlandeses são os alunos melhor preparados em todo o mundo. Porque será que assim acontece? O que leva este País a apresentar tão bons resultados, quando os seus alunos entram um ano mais tarde que na maioria dos outros países (7 anos), e têm menos 23% de horas de aulas? Que características especiais reúne?
O PISA foi lançado em 1997 pela OCDE no sentido de monitorizar, de forma regular e numa perspectiva comparativa a nível internacional, os resultados dos sistemas educativos em termos de desempenho dos alunos. Procura medir a capacidade dos jovens de 15 anos (i.e. na idade normal para o final da escolaridade obrigatória) na literacia em Leitura, Matemática e Ciências. O objectivo deste estudo é o de medir as competências que possuem nos desafios quotidianos e não o de medir o domínio das matérias curriculares específicas. No Relatório PISA, no qual participaram 275.000 alunos com 15 anos, oriundos de 41 países, os estudantes finlandeses ocuparam nas edições de 2000 e 2003, o primeiro lugar em habilidade para a leitura, compreensão da escrita e cultura matemática.
Mas, o que tem a Finlândia que não tenham os outros países? Apesar de investir cerca de 6,51% do PIB na Educação (acima da média europeia), não é o país que mais investe na Educação. Além disso, o gasto por aluno neste nível de ensino está abaixo de muitos outros países como Luxemburgo, Estados Unidos ou Itália. Portanto, a resposta-chave não é unicamente monetária. De uma maneira geral, os países que contam com maior autonomia nas suas escolas e grande equidade entre os seus colégios, como a Finlândia, obtêm melhores resultados.
Além disso, a Finlândia possui também um grau elevado de formação de professores a nível da educação básica e secundária, sem esquecer que os sistemas educativos são uma soma de três factores que se interrelacionam: o familiar, o socio-cultural e o escolar. No caso finlandês, estes factores coordenam-se e potenciam-se uns aos outros. Ainda a este nível, a Finlândia é um país que detém uma sólida igualdade e equidade social, com prestações económicas e ajudas consideráveis à família. Relativamente ao apoio familiar, 55% das famílias finlandesas consideram-se os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos e participam activamente nela, graças a uma série de medidas facilitadores da conciliação laboral e familiar. A nível de apoio cultural, a Finlândia dispõe de mais de 1.900 bibliotecas públicas, a televisão não traduz nenhum programa em língua estrangeira e as crianças desde muito cedo se familiarizam com outros idiomas. O índice de leitura ronda os 87% da população.
As oportunidades de aprendizagem são praticamente as mesmas em todo o país, existe uma grande homogeneidade entre os centros educativos.
Gratuitidade absoluta no ensino obrigatório (incluindo livros, manuais, material, refeições). Apenas 5% da população frequenta escola privadas.
Os alunos não são separados por níveis de aprendizagem, a diferença entre os alunos com maior ou menor rendimento é mínima. Um aluno com dificuldades tem a oportunidade de estudar uma ou duas vezes por semana em pequenos grupos ou com um professor individualmente, para que os professores tenham a certeza que nenhum aluno fica para trás.
Os governos locais, os municípios e colégios têm um peso considerável na gestão educativa.
Os professores têm grande autonomia, mas também grande responsabilidade e estão em permanente formação.
Podem escolher os seus manuais ou prescindir, ensinar dentro ou fora da sala de aula, reunir os alunos em grupos grandes ou pequenos.
A profissão docente é uma das mais prestigiosas no país e goza de uma grande consideração por parte dos cidadãos. O processo de selecção é minucioso, envolvendo várias provas (entrevista pessoal, exposição observada de um tema a uma turma, uma prova de matemática, uma prova de tecnologia). O que é mais valorizado é a capacidade educativa e a sensibilidade social.
Fonte: Marta Vasquez Reina, Maio de 2007, disponível in http://www.consumer.es/web/es/educacion/primaria_y_secundaria/2007/05/22/162930.php?page=3
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