Neste artigo apresentamos, de uma forma genérica, um programa implantado num município no Brasil (Guarujá, São Paulo) durante dois anos, que pretendeu implantar um sistema de Educação Inclusiva nas escolas municiais. As palavras-chave do funcionamento do programa foram o “empowerment” e a “teoria do vínculo. A Psicóloga Marina Almeida esteve ligada à coordenação do projecto, como psicóloga e consultora, e foi com base nas suas palavras que elaborámos o artigo.
O objectivo do programa foi envolver todos os actores de alguma forma ligados ao sistema educativo, criar sinergias entre eles para depois alcançar respostas socio-culturais mais adequadas ao atendimento dos alunos com necessidades educativas especiais. Após um diagnóstico institucional para reflectir sobre as relações entre os sujeitos envolvidos e as condições onde elas surgem, foi "adoptada" uma metodologia baseada no conceito de empowerment, isto é, a capacidade de uma pessoa, individual ou colectiva, de utilizar os seus próprios recursos para actuar com responsabilidade no espaço público, influenciando também o seu meio. Esta abordagem leva os actores a construir uma auto-imagem e confiança positiva, desenvolver habilidades e competências, obter uma coesão de grupo, promover tomadas de decisões e acções com responsabilidade.
Procurou-se a construção de grupos na perspectiva da Teoria do Vínculo (Pichón-Revière, 1982), que conjuga forças interiores e exteriores, num espaço de relações dialécticas. Desses grupos, que incluíam os próprios indivíduos visados no projecto, através de reuniões sistemáticas de reflexão e partilha, resultaram acções inclusivas concretas para a rede de ensino. Ampliou-se a noção de Educação Inclusiva para uma visão mais expansiva, desde o nascimento até à morte, procurando respostas em diferentes áreas do conhecimento.
Passamos a indicar algumas das principais medidas adoptadas: alargamento do atendimento educacional (para todas as idades); programa "De Mãos Dadas" – adoptar um processo gradativo de inclusão, envolvendo várias medidas tais como implantar os seis tipos de acessibilidade (arquitectónica, atitudinal, metodológica, instrumental, comunicacional, programática), promover a igualdade de oportunidades, entre outros (ver artigo completo).
Do Programa "De Mãos Dadas" resultaram diversos projectos, em função da necessidade de atender à diversidade humana numa perspectiva inclusiva: Projecto Coração, Arca de Noé, Descubra Seu Talento, Todos Juntos, Passo a Passo, Despertar, Esperança, Cata-Vento, Ciranda do Saber.
Uma das grandes conclusões a que se chegou no final dos 2 anos foi a de que não há desenvolvimento sustentável sem processos efectivos de empowerment e envolvimento de vínculos afectivos dos actores sociais, mediante a participação dos excluídos, com voz para negociar, articular e mudar, não só a sua própria condição, mas a do próprio meio, com o propósito de melhorar a sua qualidade de vida, em especial no que diz respeito à educação, saúde e a da sua comunidade
Consulte o Artigo Completo.
Gentil Colaboração: Drª Marina Almeida; Imagem: Miguel Castro e José Gomes
É necessário estar registado para escrever um comentário.
Caso ainda não se tenha registado poderá registar-se em: http://www.cnotinfor.pt/registo