A UNICEF acaba de publicar o relatório de um estudo realizado acerca da vida e do bem-estar das crianças e adolescentes (até aos 15 anos) nos países economicamente mais avançados (21 países da OCDE em análise). A perspectiva subjacente é a de que “a verdadeira medida do estado de uma nação reside na forma como consegue dar resposta às suas crianças – a sua saúde e segurança, a sua segurança material, a sua educação e socialização, e o seu sentido de ser amada, valorizada e incluída nas famílias e nas sociedades nas quais nasceram”.(in relatório). No ranking geral das 6 dimensões em estudo, Portugal está em 17º lugar, destacando-se, no entanto, em 2º lugar na dimensão “Relação com a Família e com os Pares” e detendo o ultimo lugar na categoria “Bem-estar educacional”.
Ao todo, 6 dimensões da vida das crianças foram consideradas no estudo: Bem-estar material, Saúde e Segurança, Bem-estar educacional, Relações com a Família e com os Pares, Comportamentos e riscos e Bem-estar subjectivo. Dentre as principais descobertas do estudo, destacam-se as seguintes:
Na área da Educação, os países que lideram o ranking são a Bélgica e o Canadá, enquanto que os últimos lugares são ocupados pela Grécia, Portugal, Itália e Espanha. Na área das relações familiares e com os pares, Portugal detém o segundo lugar, depois da Itália.
Nas conclusões do relatório, destacamos as que nos parecem mais pertinentes:
Parece existir uma relação significativa entre algumas das dimensões. Por exemplo, a Pobreza afecta muitas das dimensões de bem-estar das crianças, nomeadamente a saúde, o desenvolvimento cognitivo, o desempenho escolar, as aspirações, os comportamentos de risco, a auto-percepção, as relações sociais e as perspectivas de emprego.
Mais do que dar destaque ao ranking final, e porque o todo é muito mais que a soma das partes, importa que os países procurem desenvolver estratégias multi-dimensionais, uma vez que o bem-estar das crianças é também ele multi-dimensional.
Acima de tudo, o que se procura é saber se as crianças se sentem amadas, acarinhadas, especiais, e apoiadas dentro da sua família e da sua comunidade, e saber também se a família e a comunidade estão também a ser apoiadas pelas políticas públicas e seus recursos.
O estudo não pode ser considerado completamente preciso, até pela dificuldade em traduzir estas questões em números e tabelas. Por outro lado, há que ter em conta também as diferenças de tradução, cultura, usos e costumes de cada país. O estudo pretende ser apenas um ponto de partida. Uma vez reconhecido que os problemas sociais, económicos, ecológicos dos nossos dias estão a afectar a qualidade de vida das crianças, os diversos países deverão agora lançar mão à obra para melhor compreender, controlar e direccionar o que está a acontecer às nossas crianças nas suas idades mais vulneráveis, e actuar em consonância.
Pode consultar aqui o PDF do Relatório.
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