Computador: motivador ou obstáculo da interacção social?
Desde que os computadores se tornaram “objectos” habituais do dia-a-dia de crianças, jovens e adultos em quase todo o mundo, surgiu também, quase em simultâneo, a preocupação em saber de que forma este instrumento actuaria como um promotor ou como obstáculo à interacção social, ao convívio entre as pessoas, ao desenvolvimento social da pessoa, grosso modo. Existem opiniões muito distintas relativamente a esta questão. No entanto, e ao contrário do que a maior parte dos investigadores pensava inicialmente, muitos estudos empíricos verificam que o computador estimula o trabalho em grupo, promove a interacção e a comunicação entre pares, na escola, na família, entre amigos.
Procurámos fazer um resumo dos resultados que encontrámos de algumas investigações que têm sido feitas em diversos países, bem como das opiniões de alguns especialistas. Algumas vozes mais positivas, outras mais cépticas acerca dos efeitos desta tecnologia, sobretudo nos mais novos.
Vantagens para a Interacção Social
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Apesar de se defender que a tecnologia não deverá nunca substituir as relações e interacções humanas, nem actividades como a leitura de histórias, a construção de blocos, puzzles ou discussão de temas em conjunto, os computadores e o software podem servir de catalizadores da interacção social. (NWREL – Northwest Regional Educational Laboratory (EUA);
- Devem existir dinâmicas de promoção da interacção, como por exemplo duas cadeiras em frente a cada computador, estimulando desta forma o trabalho em grupo e a partilha de ideias.
- O computador é um “catalizador da interacção social. Pensava-se que os computadores isolavam as crianças. Pelo contrário, diversos estudos analisados por Clements (1999) indicam que as crianças interagem nove vezes mais e durante mais tempo quando trabalham em conjunto no computador, do que quando fazem puzzles ou construções com blocos.
- “Para surpresa de muitos, o computador não serviu para isolar as crianças, mas para ensinar-lhes uma grande variedade de habilidades sociais. O papel das TIC (mais concretamente do computador) não deverá ser nunca o de substituir situações reais de interacção social.(Shapiro, 1998)
- As TIC constituem uma “oportunidade para estimular a colaboração entre crianças no ensino pré-primário” Carioca et al (2005);
- Quando utilizam o computador, as crianças preferem o trabalho em pares, obtendo níveis mais elevados de comunicação oral e de colaboração. Mostram inclusive maior vontade em pedir ajuda aos colegas, quando necessário, do que ao professor. Esta colaboração ultrapassa inclusive as paredes da escola, uma vez que, através da Internet, os colegas podem continuar a interagir e comunicar em suas casas ou em qualquer outro lugar. Blatchford, 2003). (NAEYC – National Association for the Education of Young Children)
- Scoter et al (2002) lembram ainda o papel da tecnologia na criação de comunidades locais e globais (através da Internet e do e-mail), aproximando escola, pais, professores, entidades locais e, a um nível mais alargado, entre escolas de diferentes cidades, países, continentes.
Desvantagens para a Interacção Social
Algumas tecnologias são muito passivas e não proporcionam às crianças a quantidade e a qualidade das experiências emocionais, sócias, cognitivas e físicas que as crianças necessitam para o seu desenvolvimento nesta idade. (Perry, 1999).
- Pais e educadores têm dificuldade em controlar o acesso a conteúdos não apropriados para crianças nesta fase de desenvolvimento. A ausência desse controlo pode levar a que, por exemplo, crianças muito novas visualizem imagens de violência, imagens de sexualidade inapropriadas à sua idade, testemunhem a aplicação de conceitos negativos como o de racismo, entre outros. (Perry, 1999).
- Valente (1993) lembra alguns dos argumentos mais cépticos relacionados com (1) questões económicas (“a escola não tem verba..”; (2) questões humanas (desumanização como a “possibilidade de o professor ser substituído pelo computador”); (3) questões metodológicas (“dificuldade de adaptação da administração escolar, dos professores e dos pais a uma abordagem educacional que eles mesmos não vivenciaram”).
- Setzer (1999) considera que a utilização dos computadores muito cedo pode ser prejudicial à criança e ao adolescente, “porque o computador força [um] pensamento lógico-simbólico e algorítmico.
Fontes: NWREL (2001):Technology in Early Education, Finding the Balance, What research says about Technology and Child Development
Perry, B. & Nanlohy, P. (1999). Using Technology in Early Childhood classroom
Scoter, J. V, Boss, S. (2002). Learners, Language and Technology –Making Connections that support Literacy
Clements D. (1999). Dialogue on Early Childhood Science, Mathmatics and Tecnology Education
Shapiro, Lawrance S. (1998). Inteligência emocional: uma nova vida para o seu filho
NAEYC – National Association for the Education of Young Children (1996). Technology and Young Children – Ages 2 through 8 . A position statement of the National Association for the Education of Young Children
Carioca, V. et al (2005). Kindernet – As TIC na Primeira- Infância: Manual para formadores
Valente, José A. (1993). Computadores e conhecimento, repensando a educação.
Colocado no dia: 28 Março 2007 às 0:00
Tags: Investigação e Desenvolvimento
Artigo escrito por: TeresaPinto