Caminhos para uma Inclusão Humana: uma sugestão de leitura

imagem fotografia de Marina Almeida, autora do artigoAutora: Drª Marina Almeida Pais, educadores e demais profissionais deparam-se no presente com um dilema: “Como educar nossos filhos para a sociedade futura?” A nossa preocupação e angústia vêm da natureza de não conhecermos em detalhe os aspectos fundamentais desta futura sociedade! Se concordarmos que a função da Educação é a preparação das pessoas para o seu futuro, neste momento ninguém pode saber com exactidão como será o futuro, nem o futuro mais próximo. Estas e outras questões são abordadas de uma forma muito interessante no livro Caminhos para a Inclusão Humana Valorizar a Pessoa, Construir o Sucesso Educativo, da autoria da Psicólogo brasileira Marina Almeida, que pode encontrar aqui em Portugal em http://www.webboom.pt/ficha.asp?ID=106301. imagem de uma rapariga a jogar com o computador, com um joystick src=”http://bica.cnotinfor.pt/uploads/raquel_joystick.jpg” class=alignright >Não sabemos, por exemplo, as consequências, das possibilidades da clonagem humana e projectos semelhantes. Essa incerteza pode deixar-nos paralisados, insatisfeitos com a maneira de realizar “uma educação”, precisamos ter coragem para desafiar os erros e encontrar novas maneiras de “fazer” ou “refazer” a prática pedagógica. Neste sentido, a Sociedade Contemporânea está a passar por uma série de modificações estruturais que nos obrigam a reavaliar aquilo que fazemos na Educação, e tentar alinhar este esforço à realidade que existe fora da instituição académica. Por exemplo, muitas carreiras estão a desaparecer do cenário nacional e internacional, devido à informática e à globalização; por outro lado, surgem novas carreiras novas. Como deverá ser esta escola e este educador nessas condições? Como é preparar um educando num mundo de velocidade, de mudanças na sociedade, para um mundo de valores e de actividades profissionais diferentes das actuais? Acredito que a meta principal, da Educação, da escola e do educador, tenha que ser investida na preparação do futuro adulto para pensar amorosamente, sistematicamente e ecologicamente. Exactamente o oposto da nossa Educação actual, que apesar de suas modificações através dos Parâmetros Curriculares, ainda está sendo aplicada na prática para formar os alunos baseando-se em factos históricos e científicos potencialmente úteis no futuro, mas aplicáveis apenas nos testes ou exames para a universidade. A nova meta da Educação tem que ser como pensar e não o que se pensa. imagem do planeta terra src=”http://bica.cnotinfor.pt/uploads/planeta_terra.jpg” class=alignleft >Os principais problemas de nosso tempo não podem ser compreendidos isoladamente, mas vistos de forma interligada e interdependente. A maneira de pensar deverá ser “holística” (vendo o mundo amorosamente como um todo integrado) e “ecológica” (reconhecendo a fundamental interdependência de todos os fenómenos naturais), tanto como indivíduos como sociedade, todos nós estamos inseridos dentro de processo cíclico da natureza. Uma visão holística da inclusão das pessoas com necessidades especiais, significa ver a inclusão como um todo funcional, compreendendo suas inter-relações entre as partes envolvidas. Numa visão ecológica da inclusão, implicaria a percepção de como as inclusões das pessoas com necessidades especiais serão inseridas em seu ambiente natural e social: de que precisaremos para executar este paradigma, quais as estratégias fundamentais? Por exemplo, à questão do transporte: estamos falando do quanto as pessoas com necessidades especiais e a sociedade estão dispostas a investir em locomoção que está relacionada com a velocidade, segurança, conforto, prestígio e seus efeitos e consequências no meio-ambiente. A partir desses conceitos, precisaremos de um novo sistema de ética, diferente do actual, e nossos filhos deverão ser preparados para sobreviver no futuro entendendo os princípios básicos da ecologia: interdependência, reciclagem, parcerias, flexibilidade, preservação, respeito, cultivo e diversidade. imagem de um edifício com traços muito modernos src=”http://bica.cnotinfor.pt/uploads/edificio_moderno.jpg” class=alignright >Neste momento a Escola, o educador e todos nós, precisaremos investir na consciência do nosso meta-pensamento, isto é, saber como se resolve um problema. Significa pensar em termos de conexões, relações, contexto, interacções entre os elementos de um todo; de ver as coisas em termos de redes e comunidades. Como a cadeia alimentar, a cadeia de predadores que inclui o homem como o único que mata sem ter fome, que destrói sem ter motivos, apenas pela satisfação e omnipotência de seu domínio sobre as espécies “inferiores”. Levar o educando a saber pensar amorosamente e sistematicamente envolve capacitá-lo a ver “processos” em qualquer fenómeno, despertar a sua sensibilidade afectiva de ver mudanças (reais ou potenciais), crescimento e desenvolvimento, de compreender coisas através do conceito da gestalt (um todo é maior do que a soma das suas partes); de reconhecer que as nossas percepções são condicionadas pelos nossos métodos de questionamento e que a objectividade em ciência é muito mais uma meta do que um fato. A capacidade dos professores daqui em diante precisará incluir técnicas que incentivem os alunos para cooperação, sendo o “trabalho em grupo” uma estratégia na sala de aula, o papel do professor como mediador dos alunos. O próprio educador precisa se tornar um agente de mudança trabalhando em grupo com seus colegas, com outras pessoas da escola. As novas tecnologias de comunicação nos permitem individualizar a aprendizagem, deixando cada aluno navegar sobre vastos territórios de informação virtual, imagem e som, destacando os assuntos que agradam e isolando os que desagradam, aprofundando-se nas categorias de informação que se afinam com o seu “saber” individual de aprendizagem. A sociedade actual exige pessoas detentoras de tipos diferentes de capacidades, com talentos variados, sobrepostos e mutáveis. imagem de um iogurte src=”http://bica.cnotinfor.pt/uploads/iogurte_jaesta.jpg” class=alignleft >O saber precisa ter sabor, precisa ter gosto, agradar ao paladar, degustar, apreciar, despertar desejos de “quero mais”. A escola da actualidade necessita ser mais flexível, ser inteira e representar a vida, portanto humanizada. As nossas escolas baseiam-se inteiramente em torno da noção de disciplina e comportamento. O educador deixa de ser o “professor” para ser tornar o “professor de algo” (I Ciclo), depois temos “o professor das disciplinas”(II e III Ciclos e Secundário) , deveria ser professor de gente, não de matérias. A escola corre atrás de resultados quantitativos, e deixa de ser de qualidade perdendo a oportunidade de entender como se chega aos resultados. Alunos mal comportados, deficientes, lentos, com altas habilidades e criativos são excluídos do sistema, não há lugar para o potencial ou sofrimento humano, pensar a dor, afecto, é algo muito complexo para nossa escola abarrotada de alunos nas classes. Como ouvi-los? Como criar espaços suficientemente humanos de intervenção? Mas temos o jargão democrático para aferir “toda criança na escola”, mas ninguém pergunta: como?, de que maneira está na escola?, qual seu efectivo aproveitamento?, instalação?, qualidade? Reconhecer que podemos promover uma nova forma de aprendizagem, muitas vezes longe do que pretendíamos como objectivo principal, acredito que aí esteja a arte em ser educador. Ver o que não está no aparente, no pedagógico, no conteúdo programado, no concreto, mas considerar o crescimento humano que a pessoa adquiriu durante aquela experiência. Como educadora considero isso como relevante porque ficará por toda a vida! “Tudo isso é aprender. E aprender é sempre adquirir uma força para outras vitórias, na sucessão interminável da vida”. (Cecília Meireles). Consulte o Artigo Completo. Autor: Marina S. Rodrigues Almeida, Psicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga, Consultora em Educação Inclusiva, Instituto Inclusão Brasil, http://inclusao.brasil.blogspot.com.




Colocado no dia: 17 Dezembro 2007 às 0:00

Tags:

Artigo escrito por: TeresaPinto

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