Com o desenvolvimento e implementação das novas tecnologias na nossa sociedade, a abundância e a disponibilidade de informação são um facto incontestável. Se há uns anos atrás, para poder ter acesso a um determinado livro, uma publicação, um artigo, era necessário a pessoa deslocar-se fisicamente a uma loja ou biblioteca, hoje em dia, a maior parte da informação que precisamos está à distância de um www. A rápida evolução da tecnologia e da aprendizagem proporciona, pois, novas formas de representar o conhecimento e novas práticas educativas. Esta evolução faz com que tenham que ser repensadas as formas de ensinar e aprender, uma vez que foram concedias numa era quase pré-digital.
Esta disponibilização de informações e conteúdos em massa origina transformações a nível da aprendizagem dos indivíduos, desde tenra idade. Novos percursos de aprendizagem são criados, emerge um novo conceito de “auto-aprendizagem”, e esta nova realidade exerce, obviamente, impacto sobre as reconhecidas estruturas de aprendizagem da sociedade. Durante muito tempo, a Educação, o papel do professor, o papel da ciência e dos saberes foi entendido de uma forma dogmática, inquestionável. O que se ensinava na escola era considerado como algo a preservar e manter, devendo o bom professor assegurar a passagem dessa “receita” às novas gerações. No entanto, o cenário actual, marcado pelas transformações tecnológicas, pelas novas exigências do mercado de trabalho, entre outras mudanças, demanda que as escolas se actualizem e promovam aprendizagens mais reais e mais profundas.
É uma realidade que muitos alunos utilizam e navegam na Internet regularmente no seu dia-a-dia, seja para comunicar, seja na pesquisa de informação para realização dos seus trabalhos, para resolução problemas, ou simplesmente por curiosidade. Os professores não poderão ignorar este facto, mas antes deverão empreender diligências no sentido de tirar desses novos recursos o maior e melhor proveito possível. A escola não pode, definitivamente, voltar costas à realidade onde está inserida. Deve sim aproximar-se, evoluir, para estar mais perto dos seus alunos. Um dos “novos” papéis do professor passa, pois, por ajudar o aluno nesta pesquisa, uma vez que, a enormidade e variedade de conteúdos podem induzir em erro ou em desorientação. Estes novos “navegadores” necessitam de apoio, de filtros que os ajudem a melhor distinguir o que é realmente proveitoso e tem qualidade.
Cientes destas questões, alguns investigadores europeus, membros do Kaleidoscope, uma rede europeia de Excelência sobre Aprendizagem Enriquecida pela Tecnologia, da qual a Cnotinfor é parceira, acabam de publicar o livro “Trails in Education: Technologies that Support Navigational Learning”, de J. Schoonenboom, M.Levene, J. Heller, K. Keenoy, M. Turcsányi-Szabó. (Trad: Caminhos na Educação: Tecnologias que apoiam a Aprendizagem por Navegação). O livro procura explorar as formas de aprendizagem do futuro que incorporem as tecnologias em formatos inovadores e transformadores. Pretende ser também um contributo para a concepção de experiências de aprendizagem que façam ligação entre novos contextos formais e informais, que promovam a inclusão social, que esbocem novas perspectivas acerca de conceitos como cognição, comunidade, epistemologia. É indicado para investigadores, professores, decisores ligados à Educação e para todos aqueles que de alguma maneira se interessam pelo futuro da aprendizagem pela tecnologia.
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