A Escola Inclusiva do Século XXI: as crianças podem esperar tanto TEMPO?

imagem fotografia de Marina Almeida, autora do artigoAutora: Drª Marina Almeida O movimento inclusivo já é real nalguns lugares. A sociedade está a sofrer mudanças fundamentais precisam ser efectivadas e adaptadas as novas exigências, como a capacidade solidária entre as pessoas. O homem mudou consideravelmente a sua história, seus rumos, seu ecossistema, muitas foram às modificações ocorridas pelos avanços da ciência, contudo há muitas pessoas em grave sofrimento, quer seja por fome, desamparado, injustiça social, preconceito, perseguição política, tragédias dentre outros factos sociais. Percebemos cada vez mais textos e publicações falando de inclusão, seus benefícios, seus sucessos quer sejam no âmbito da educação, no mundo do trabalho ou nas relações entre pessoas, mas carecemos de mudanças que caminham ainda a passos curtos. imagem várias mãos vários circulos a convergir para um mesmo A sociedade do terceiro milénio é uma sociedade em que não há mais espaço para a exclusão. A inclusão é um dos princípios fundamentais para a transformação humanizadora desta sociedade do terceiro milénio. A escola urge na sua mudança estrutural, é impossível falarmos de Educação Inclusiva com as escolas ainda a funcionar com séries, currículos fechados e adaptações curriculares e avaliações formatadas, com professores a trabalhar sozinhos e com práticas reducionistas ou adaptadas. Urge uma mudança de funcionamento do sistema escolar por ciclos, currículos individuais, progressão continuada, avaliações continuas e auto-avaliações, respeitando a individualidade de TODOS os alunos. Uma educação pautada na cooperação, na criatividade, na reflexão crítica, na solidariedade, uma educação libertária e emancipadora. Avançando nas práticas inclusivas imagem vários pessoas de diferentes idades, situações, a conviverDe acordo com o Seminário Internacional do Consórcio da Deficiência e do Desenvolvimento (International Disability and Development Consortium – IDDC) sobre a Educação Inclusiva, realizado em Março de 1998 em Angra, na Índia, um sistema educativo só pode ser considerado inclusivo quando abrange a definição ampla deste conceito, nos seguintes termos: • Reconhece que todas as crianças podem aprender; • Reconhece e respeita diferenças nas crianças: idade, sexo, etnia, língua, deficiência/inabilidade, classe social, estado de saúde (HIV, Tuberculose, Hemofilia, Hidrocefalia, ou qualquer outra condição); • Permite que as estruturas, sistemas e metodologias de ensino atendam as necessidades de todas as crianças; • Faz parte de uma estratégia mais abrangente de promover uma sociedade inclusiva; • É um processo dinâmico que está em evolução constante; • Não deve ser restrito ou limitado por salas de aula numerosas nem por falta de recursos materiais.

A Convenção da Deficiência é o primeiro tratado dos direitos humanos do Século XXI e é amplamente reconhecida como tendo uma participação da sociedade civil sem precedentes na história, particularmente de organizações de pessoas com deficiência. Num dos seus artigos podemos ler as asguintes directrizes: nenhuma exclusão do sistema de ensino regular por motivo de deficiência; o acesso para estudantes com deficiência à educação inclusiva em suas comunidades locais; acomodação razoável das exigências indivíduais; o suporte necessário dentro do sistema de ensino regular para possibilitar a aprendizagem, inclusive medidas eficazes de apoio individualizado.

imagem planeta terra dentro de um cuboAs principais barreiras que se identificam para um ensino inclusivo são sobretudo: as atitudes negativas em relação à deficiência; a invisibilidade na comunidade das crianças com deficiência que não frequentam a escola; custos; acesso físico; dimensão das turmas; pobreza; discriminação por género, dependência (alto nível de dependência de algumas crianças com deficiência dos que cuidam delas.

Na escola aprende-se que há um lugar e um tempo para cada coisa; há comportamentos permitidos e proibidos, há normas que determinam o possível, ainda que sofram transgressões. Determina-se através das regras estabelecidas em cada instituição, o que se considera adequado à conduta de cada elemento. Assim, além de inculcar determinadas concepções sobre o tempo que devem ser interiorizadas, a escola acaba criando mecanismos de conformação às condutas esperadas. A organização do tempo escolar promove, através do estabelecimento de regras de comportamento, a aprendizagem de uma visão da escola como instituição com identidade própria, dotada de normas e códigos específicos.

Conclui-se assim que a escolarização não implica somente a aprendizagem ou de conteúdos específicos principalmente, a aprendizagem de determinadas concepções do tempo e do espaço. Como observa Viñao Frago, “considerar alguém “alfabetizado” em termos escolares pressupõe a interiorização do sentido imperativo do tempo”. Portanto, o artigo se propôs a uma reflexão crítica, um chamamento a realidade do funcionamento da instituição escola, a quem estamos servindo, de que maneira administramos nosso tempo, pensem sobre que tempo estamos falando e nas atitudes que podem ser tomadas no PRESENTE para a escola mudar e atender a TODOS com dignidade! Consulte o Artigo Completo. Autor: Marina S. Rodrigues Almeida, Psicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga, Consultora em Educação Inclusiva, Instituto Inclusão Brasil; Imagens: Miguel Castro e José Gomes




Colocado no dia: 6 Dezembro 2007 às 0:00

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Artigo escrito por: TeresaPinto

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