A empregabilidade da pessoa com Síndrome de Down

imagem fotografia de Marina Almeida, autora do artigoAutora: Drª Marina Almeida, Psicóloga Trabalhar é um dos melhores instrumentos de que dispomos enquanto seres humanos, para nos realizarmos como pessoas, para manifestarmos de forma operativa as nossas necessidades e nossa obrigação de servir os demais. Depois vem a satisfação pessoal que o emprego nos reporta, a criatividade do trabalho realizado, o salário que por ele se recebe, nos permitindo cobrir nossas necessidades e nossos gostos pessoais, motivos esses todos legítimos que engrandecem a realidade humana e o que implica em trabalhar. Infelizmente encontramos muitas barreiras para conseguirmos com que a pessoa com deficiência intelectual possa realizar-se com dignidade e inteireza em sua identidade como pessoa trabalhadora. imagem vários circulos a convergir para um mesmo Os empresários alegam alguns motivos para manterem mais resistência a disponibilizar vagas para pessoas com deficiência intelectual, como por exemplo, pessoas com síndrome de Down, optando preencherem as cotas com pessoas com outros tipos de deficiência. Verificamos sérios mitos e estereótipos neste impedimento da contratação, baseados em preconceitos em relação à pessoa com deficiência intelectual, como alguém desprovido de maturidade, autonomia e independência. Num panorama geral, o processo de exclusão historicamente imposto às pessoas com deficiência deve ser superado por intermédio da implementação de políticas inclusivas, acções afirmativas e pela consciencialização da sociedade acerca das potencialidades dessas pessoas. imagem pessoa com síndrome de Down a trabalhar Para fins da inserção no mercado de trabalho das pessoas com deficiência intelectual, defendemos neste artigo, os princípios do Emprego com Apoio. O deficiente intelectual, podendo ser uma pessoa com síndrome de Down, deverá ter as mesmas oportunidades para obter seu emprego, porém dentro de sua singularidade deverá ser respeitado suas necessidades por meio dos níveis de apoio necessários para sua efectiva inserção no mercado de trabalho e redes de apoio necessárias para promover sua autonomia. Temos quatro níveis de apoio para pessoas com deficiência intelectual (1) Intermitente: apoio quando necessário, de natureza episódica. Assim, a pessoa não precisa sempre de apoio ou requer apoio de curta duração durante momentos de transição em determinados ciclos da vida (por exemplo, perda do emprego ou fase aguda de uma doença). (2) Limitado: apoios intensivos caracterizados por sua duração, por tempo limitado, mas não intermitente. Pode requerer um menor número de profissional e menor custo que outros níveis de apoio mais intensivos (por exemplo, formação para o trabalho por tempo limitado ou apoios transitórios durante o período entre a escola e a vida adulta). (3) Extenso: apoios caracterizados por sua regularidade (por exemplo, diária) em pelo menos em algumas áreas (tais como na vida familiar ou na profissional) e sem limitação temporal (por exemplo, apoio em longo prazo e apoio familiar em longo prazo). (4) Generalizado: apoios caracterizados por sua constância e elevada intensidade, proporcionados em diferentes áreas, para proporcionar a vida. Estes apoios generalizados exigem mais pessoal e maior intromissão que os apoios extensivos ou os de tempo limitado. Para cada necessidade e perfil individual da pessoa com síndrome de Down procura-se encontrar um encaminhamento ocupacional. Vejamos alguns exemplos: Apoio para ajudar a pessoa a aprender a realizar as tarefas da nova ocupação, adaptar sua vida a nova realidade com chefes, companheiros, departamentos, direitos e deveres, apoio para que os trabalhadores também se acomodem a sua presença e nunca o subestimem ou o sub proteja, apoio para solucionar problemas que possam surgir aprender a lidar com seu salário, locomoção, apoio a família para que se adapte a nova realidade de seu filho (a) e apoio a sua extensão de sua autonomia vital. imagem escadas rolantes Propomos aqui o modelo do Emprego com Apoio para pessoas com deficiência intelectual. Este modelo de intervenção nasceu nos Estados Unidos, nos anos 70, sendo a Irlanda o primeiro país europeu a aplicá-lo. Através da metodologia do Emprego com Apoio, é necessário pesquisar as disponibilidades de vagas nas empresas e a formação profissional directamente nos postos de trabalhos. Os média nacionais e internacionais têm exposto alguns exemplos de empregabilidade com bons resultados. É crescente o número de empresas de todo mundo que tentam cumprir sua responsabilidade social. Porém é conveniente apontar uma reflexão para a opinião pública. Precisamos sair dos modelos que implicam apenas a inclusão destas pessoas como uma obrigação legal, por assistencialismo e benevolência, mas reconhecer as suas reais capacidades, competências e habilidades produtividade, como pessoa humana, em seu exercício de cidadania. O trabalho é um valor importante na vida humana de qualquer pessoa com ou sem deficiência, deve servir para enriquecer a pessoa, sua personalidade e nunca como fonte de discriminação e sofrimento. No caso das pessoas com síndrome de Down, o trabalho amplia seu campo de autonomia pessoal, suas relações sociais, sua capacidade produtiva, sua capacidade criativa, bem como sua identidade enquanto pessoa e satisfação pessoal consigo mesma. Contudo, o trabalho não é um fim em si mesmo, mas um meio vital de cumprir sua função social a que pertence. Para que haja um emprego inclusivo, à semelhança do que acontece na escola inclusiva; precisamos também que sejam cumpridos os seis tipos de acessibilidade: arquitectónica, comunicacional, metodológica, instrumental, programática, de atitude. Temos ainda muitos desafios, mas este artigo aponta para inúmeras maneiras de como empregar uma pessoa com deficiência intelectual. Muitas portas foram abertas, sabemos hoje que empregar uma pessoa com deficiência intelectual já é uma realidade possível, precisamos cada vez mais ganhar espaço e deixarmos nossos preconceitos e resistências para trás. Consulte o Artigo Completo. Autor: Marina S. Rodrigues Almeida, Psicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga, Consultora em Educação Inclusiva, Instituto Inclusão Brasil; Imagens: Miguel Castro




Colocado no dia: 11 Outubro 2007 às 0:00

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Artigo escrito por: TeresaPinto

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