Nos nossos dias, tudo acontece e tudo se quer muito rapidamente: comer, falar, trabalhar, aceder à Internet, um sem número de actividades diárias que realizamos e queremos ver realizadas rapidamente. Por outro lado, o excesso e o acesso imediato à informação, a velocidade das cenas dos filmes, o “bombardear” de imagens e conteúdos na televisão reforçam ainda mais a rapidez e a extrema fluência que quase tudo tem na nossa vida.
Este cenário integra e é o corolário da evolução da espécie humana e do desenvolvimento do próprio cérebro até aos nossos dias. No entanto, diversos estudos revelam que todo este movimento e aceleração podem tornar as pessoas, e sobretudo os jovens, mais ansiosos, mais inquietos, mais insatisfeitos. A velocidade dos pensamentos leva a uma diminuição da comunicação, da concentração e um aumento da ansiedade.
Na procura de uma explicação para estes sintomas que muitos alunos apresentam, um pouco por todo o mundo, o psiquiatra e psicoterapeuta brasileiro Augusto Cury encontrou uma nova síndrome cuja definição contribui para um melhor entendimento desta problemática: a SPA – Síndrome do Pensamento Acelerado.
No seu livro “Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes- a Importância do Pensamento, da Criatividade e dos Sonhos“(2006), cuja leitura recomendamos vivamente, o autor destaca como “a edição dos eventos da vida nas sociedades modernas” actua na mente humana e modifica a “velocidade de construção dos pensamentos e das emoções”.
Os sintomas desta síndrome são a irritabilidade, a insatisfação existencial, a dificuldade de concentração, deficit de memória, fadiga excessiva, um sentimento geral de insuficiência. Neste contexto, refere ainda o autor, ambientes como a sala-de-aula podem tornar-se insuportáveis para quem sofre de SPA. O facto de estar sentado, os conteúdos serem processados a um ritmo mais lento e descontraído, a necessidade de se concentrar apenas naquele momento revelam-se tarefas de grande dificuldade para os alunos mais afectados pela SPA.
Augusto Cury defende que “para evitar ou tratar a Spa é preciso um novo estilo de vida, (…) treinar a emoção para desacelerar os pensamentos e tornar-se uma pessoa estável, feliz e tranquila”. Em contexto de sala-de-aula, pouco se poderá fazer para “curar” a doença, se nas restantes áreas da vida pessoal dos alunos não ocorrerem essas mudanças. No entanto, o autor, no referido livro, deixa algumas dicas que poderão ser úteis:
Na parte final do referido livro, Augusto Cury deixa aos seus leitores um poema filosófico, que passamos a transcrever:
“Somos Professores? Muito mais!
Somos Educadores? Mais ainda!
Somos vendedores de sonhos!
Vendemos sonhos para o deprimido se animar,
Para o tímido ousar, para o ansioso ficar tranquilo e para o pensador criticar e criar
Sem sonhos, somos servos!
Sem sonhos, obedecemos a ordens!
Que vocês, alunos, sejam grandes sonhadores!
E se sonharem, não tenham medo de caminhar!
E se caminharem, não tenham medo de tropeçar!
E se tropeçaram, não tenham medo de chorar!
Levantem-se, pois não há caminhos sem acidentes.
Dêem sempre uma nova oportunidade a vocês próprios.
Pois a liberdade só é real se após falharmos
Tivermos o direito de recomeçar…”
Imagem: Miguel Castro
Fonte: CURY, Augusto, “Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes, a Importância do Pensamento, da Criatividade e dos Sonhos”, 2006, adaptação e editoração portuguesa by Editora Pergaminho, lda.
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