Quinhentos anos depois, dois portugueses regressam à Etiópia na tentativa de entender do ponto de vista comercial o potencial dos países africanos na área da Educação, em sentido lato.
Encontrámos uma ponte portuguesa do séc. XVI, gente maravilhosa, paisagens espectaculares, uma terra promissora e crianças inteligentes a falar Inglês fluente e a citar nomes de jogadores portugueses de futebol. Começámos lentamente a compreender o potencial e as contradições de um Continente tão promissor.
Observámos os efeitos negativos da acção das ONGs, quando dão o peixe em vez de procurar em conjunto como encontrar boas formas de pescar (diferentes das nossas formas de pescar), e quando consomem muitos mais recursos do que aqueles que chegam efectivamente aos seus destinatários. Desenvolvimento significa ajudar as pessoas a serem autónomas, dando-lhes o poder de gerir os seus próprios recursos de acordo com as suas necessidades, a sua visão e o seu potencial.
Deveríamos prestar mais atenção acerca de algumas das actuais soluções para África, que podem parecer-nos boas, mas que podem não ser boas para a África. Cada país africano possui dezenas de línguas e um mosaico multicultural tremendo. A tradução de conteúdos eLearning não é só uma tarefa impossível de realizar, como também parece ser, de alguma forma, um verdadeiro disparate.
O que os aprendizes Africanos verdadeiramente necessitam, na minha opinião, é de ferramentas e formação para que possam produzir e estruturar o próprio conhecimento. E nós precisamos de aprender com eles e respeitar a sua cultura e os seus valores. Eles não necessitam de seguir os padrões europeus.
As palavras-chave para nos ajudarmos a nós próprios e para ajudar a África são: parceria, empowerment, autonomia. São elas que deverão ser reflectidas em projectos de investigação conjuntos, no desenvolvimento de ferramentas adaptadas, na formação pelo fazer conjunto (e não apenas pelo ouvir).
Temos que nos tornar parceiros iguais, aprendendo e descobrindo em conjunto soluções inovadoras para diferentes problemas e não tentando criar réplicas das nossas soluções nos seus problemas. Nós não temos a solução para os problemas de África; eles têm e, eventualmente, serão parte da solução para os problemas Europeus.
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